Questão sugerida: Dentre
as categorias de análise das teorias pós-estruturalistas de currículo, a
cultura ocupa lugar central. Em torno dessa categoria discutem-se questões
relacionadas com identidade, diferença, gênero, etnia, pós-colonialidade,
multiculturalismo e outras. Como vimos nas aulas, são elementos que possuem
forte implicação nos processos formativos na educação integral. Com base nesse
pressuposto, aponte limitações e/ou desafios curriculares para a escola
integral envolvendo questões deste âmbito.
A partir do livro Documentos de
Identidade de Tomaz Tadeu da Silva, capítulo Estudos Culturais e o Currículo
(pg.131 – 137) as pesquisas realizadas em torno dos Estudos Culturais têm forte
importância para entendermos a questão do conhecimento e currículo.
Os Estudos Sociais estuda as conexões
entre cultura, significação, identidade e poder pretendendo que suas analises
funcionem como uma intervenção na vida política e social. A cultura, esta
entendida como “forma global de vida ou como experiência vivida de um grupo social”.
A cultura é um campo de construção de significados por grupos sociais distintos
tentando colocar para o restante da sociedade a forma como o mundo deve ter e a
forma como as pessoas e grupos devem ser. Neste sentido “a cultura é um jogo de poder”.
Na visão dos Estudos Sociais, o currículo
e o conhecimento estão no campo cultural, já que o currículo é uma invenção social
e os conteúdos são uma construção social. Desta forma é possível perceber que
todo currículo tem uma intenção, há no currículo, uma relação de poder em torno
dos significados e identidades.
Na prática, o “currículo prescristo”
atual tem uma intenção ao priorizar mais carga horária para disciplinas de
Matemática e Português deixando as outras formas de perceber o mundo como artes
e atividades físicas com menos tempo. Não somente isto, mas como também a
escolha de tais conhecimentos/conteúdos.
Sobre
a influência da teoria pós-estruturalista, a categoria de análise Estudos
Sociais considera o papel da linguagem e do discurso no processo de construção
do currículo e do conhecimento. O conhecimento “é o resultado de um processo de
criação e interpretação social”, assim, todas as formas de
conhecimentos – Ciências Naturais, Ciências Sociais e das Artes, são vistas a
partir dos discursos, práticas, instituições, instrumentos e paradigmas.
Dentro desta visão, não há separação entre as ciências e também entre o
conhecimento escolar e o conhecimento cotidiano das pessoas envolvidas no
currículo, pois todo o conhecimento é um objeto cultural, em que o conhecimento
no currículo, a partir de um caráter construído e interpretativo, busca
produzir certo tipo de subjetividade e identidade social.
Considerar o currículo nesta concepção é perceber que o “currículo
prescrito” tem uma intenção de poder e que através do “currículo em ação”, ou
seja, na fala e no discurso do professor é que se tem a possibilidade da
mudança. A ação do professor é pela narrativa, por isto temos que, enquanto
educador ter cuidado com falas e atitudes preconceituosas, dar voz as
diferenças e não simplesmente aceitar e respeitar, fazer a discussão.



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