sexta-feira, 27 de julho de 2012

TEORIAS CURRICULARES - INTERFACES COM A EDUCAÇÃO INTEGRAL

Questão sugerida: Dentre as categorias de análise das teorias pós-estruturalistas de currículo, a cultura ocupa lugar central. Em torno dessa categoria discutem-se questões relacionadas com identidade, diferença, gênero, etnia, pós-colonialidade, multiculturalismo e outras. Como vimos nas aulas, são elementos que possuem forte implicação nos processos formativos na educação integral. Com base nesse pressuposto, aponte limitações e/ou desafios curriculares para a escola integral envolvendo questões deste âmbito.
A partir do livro Documentos de Identidade de Tomaz Tadeu da Silva, capítulo Estudos Culturais e o Currículo (pg.131 – 137) as pesquisas realizadas em torno dos Estudos Culturais têm forte importância para entendermos a questão do conhecimento e currículo.
Os Estudos Sociais estuda as conexões entre cultura, significação, identidade e poder pretendendo que suas analises funcionem como uma intervenção na vida política e social. A cultura, esta entendida como “forma global de vida ou como experiência vivida de um grupo social”. A cultura é um campo de construção de significados por grupos sociais distintos tentando colocar para o restante da sociedade a forma como o mundo deve ter e a forma como as pessoas e grupos devem ser. Neste sentido “a cultura é um jogo de poder”.
Na visão dos Estudos Sociais, o currículo e o conhecimento estão no campo cultural, já que o currículo é uma invenção social e os conteúdos são uma construção social. Desta forma é possível perceber que todo currículo tem uma intenção, há no currículo, uma relação de poder em torno dos significados e identidades.
Na prática, o “currículo prescristo” atual tem uma intenção ao priorizar mais carga horária para disciplinas de Matemática e Português deixando as outras formas de perceber o mundo como artes e atividades físicas com menos tempo. Não somente isto, mas como também a escolha de tais conhecimentos/conteúdos.
Sobre a influência da teoria pós-estruturalista, a categoria de análise Estudos Sociais considera o papel da linguagem e do discurso no processo de construção do currículo e do conhecimento. O conhecimento “é o resultado de um processo de criação e interpretação social”, assim, todas as formas de conhecimentos – Ciências Naturais, Ciências Sociais e das Artes, são vistas a partir dos discursos, práticas, instituições, instrumentos e paradigmas.
Dentro desta visão, não há separação entre as ciências e também entre o conhecimento escolar e o conhecimento cotidiano das pessoas envolvidas no currículo, pois todo o conhecimento é um objeto cultural, em que o conhecimento no currículo, a partir de um caráter construído e interpretativo, busca produzir certo tipo de subjetividade e identidade social.
Considerar o currículo nesta concepção é perceber que o “currículo prescrito” tem uma intenção de poder e que através do “currículo em ação”, ou seja, na fala e no discurso do professor é que se tem a possibilidade da mudança. A ação do professor é pela narrativa, por isto temos que, enquanto educador ter cuidado com falas e atitudes preconceituosas, dar voz as diferenças e não simplesmente aceitar e respeitar, fazer a discussão.
Desta forma, o currículo da Educação Integral deve abranger o multiculturalismo e dar possibilidades aos estudantes de uma educação integral não somente de tempo, já que também é uma necessidade social das famílias, uma educação que integre cuidado, conhecimento e valores humanistas.

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