terça-feira, 24 de julho de 2012

CONHECIMENTO, CULTURAS E SABERES NA PERSPECITIVA DA EDUCAÇÃO INTEGRAL

Questão geral sugerida: Em relação ao que foi discutido sobre currículo do ponto de vista dos conhecimentos, culturas e saberes, o que você considera relevante? O que seria importante considerar, na perspectiva da educação integral?
Questão escolhida para refletir: Sobre a seleção cultural dos conteúdos e conhecimento escolar
REGISTRO DO FILME: "ESCRITORES DA LIBERDADE"

O filme "Escritores da Liberdade" (Freedom Writers, EUA, 2007) aborda, de uma forma comovente, o desafio da educação em um contexto social problemático e violento. O filme se inicia com uma jovem professora, que entra como novata em uma instituição de "ensino médio", para lecionar Língua Inglesa e Literatura para uma turma de adolescentes considerados "turbulentos", inclusive envolvidos com gangues.

Ao perceber os grandes problemas enfrentados por tais estudantes, a professora Erin resolve adotar novos métodos de ensino, ainda que sem a concordância da diretora do colégio. Para isso, a educadora entregou aos seus alunos um caderno para que escrevessem, diariamente, sobre aspectos de suas próprias vidas, desde conflitos internos até problemas familiares. A professora indicou também, a leitura de diferentes obras sobre episódios cruciais da humanidade, como o célebre livro "O Diário de Anne Frank", com o objetivo de que os alunos percebessem a necessidade de tolerância mútua, sem a qual muitas barbáries ocorreram e ainda podem se perpetrar.
Com o passar do tempo, os alunos vão se engajando em seus escritos nos diários e, trocando experiências de vida, passam a conviver de forma mais tolerante, superando entraves em suas próprias rotinas. Assim, eles reuniram seus diários em um livro, que foi publicado nos Estados Unidos em 1999, após uma série de dificuldades. É claro que projetos inovadores como esse, em se tratando de estabelecimentos de ensino com poucos recursos, enfrentam diversos obstáculos, desde a burocracia até a resistência aos novos paradigmas pedagógicos.

Nesse sentido, o filme "Escritores da Liberdade" dá ênfase no papel da educação como mecanismo de transformações individuais e comunitárias, como já dizia o educador Paulo Freire, tem um papel indispensável no implemento de novas realidades sociais, a partir da conscientização de cada ser humano como artífice de possíveis avanços em sua própria vida e, principalmente, em sua comunidade.
Retomando ao que diz Santomé (1998), a personagem da professora transforma na sua prática os conhecimentos, saberes e culturas do “currículo moldado” em um “currículo antidiscriminação”, possibilitando em suas aulas a reconstrução das histórias de vida de cada aluno através do envolvimento deles nas atividades práticas, no debate e nas reflexões sobre as culturas dos grupos e povos silenciados.
Podemos refletir também através do filme sobre as outras questões que perpassam os aspectos curriculares:
  • Metodologia de trabalho - saída de estudo em busca da aquisição do conhecimento através das sensações – relato de experiências de vida de pessoas do Holocausto; organização do espaço da sala de aula; utilização de outros espaços (fora da sala de aula);
  • Currículo oculto – desenvolvimento dos valores humanos: respeito as diferenças culturais, cultura da paz, solidariedade, auto-confiança através do trabalho em equipe.
  • Currículo cultural – utilização de literatura que aproxima-se da realidade dos alunos e a partir desta o interesse por outras literaturas do “currículo moldado”
  • Utilização do currículo não como instrumento de reprodução do conhecimento
  • Conhecimento escolar – alta cultura/conhecimento científico/conhecimento cotidiano
Considerando, como afirma Santomé(1998), que os alunos “têm conhecimentos prévios, conceitos, experiências de vida, concepções de vida, expectativas, preconceitos aprendidos fora da escola, nos contextos familiares, de bairro...” é preciso que a escola integral seja o espaço educativo onde através da crítica, se faça um processo de legitimação dos saberes destas vozes ausentes e grupos marginalizados, se tronando então uma escola “antimarginalização” sem perder de vista uma das funções sociais da escola de socializar o conhecimento científico necessária para ampliação cultural.

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