sexta-feira, 26 de outubro de 2012

INTERDISCIPLINARIDADE E/OU DISCIPLINAS ESCOLARES

A partir de elementos conceituais relativos à interdisciplinaridade (aulas e texto de apoio listados abaixo), de suas reflexões e experiência, desenvolva no seu digifólio uma ou mais das questões que seguem.
* Interdisciplinaridade e disciplinas escolares: quais relações? (Aproximações e/ou distanciamentos? Concomitância e/ou exclusão?)
Para dialogar sobre quais relações que há entre interdisciplinaridade e disciplinas escolares é necessário antes perceber o que se considera interdisciplinaridade e disciplinas escolares do ponto de vista histórico-social e o conceito propriamente dito das palavras.

A partir das ideias de TOZONI-REIS(2012), do ponto de vista histórico-social a vida na sociedade moderna neoliberalista organiza todas as relações sociais a partir dos princípios de liberdade, igualdade, individualidade, propriedade e democracia. Com as crises econômicas e políticas nas sociedades capitalistas instalou-se uma nova ordem mundial – o progresso tecnológico – trazendo modificações nas relações sociais, na organização do trabalho e consequentemente na qualificação e formação humana. Esta mudança pode-se chamar de globalização.

Pensando nas instituições educativas que sempre tiveram vínculo com as relações de produção, é visível notar que ao mesmo tempo em que a educação escolar reproduz a formação de elites dirigentes também produz conhecimento crítico para a transformação. Esta dualidade se reflete na organização curricular que é fragmentada, desarticulada e disciplinar, como no mundo do trabalho, gerando um distanciamento do homem entre a produção e a pesquisa. Com a globalização, a mudança de pensamento em que o indivíduo deve ser flexível, ter mais qualificação na sua formação, com novas bases técnicas e científicas se requer uma nova organização curricular.

Assim, disciplinas escolares no sentido da palavra, que dizer maneiras de analisar o mundo e de construir representações sobre ele a partir de situações simplificadas. A interdisciplinaridade, utiliza várias disciplinas para refinar uma representação que se pretende construir.

Desta forma, a interdisciplinaridade deve ter uma relação com as disciplinas escolares, pois as disciplinas são ferramentas que fornecem resultados estáveis, confiáveis, são maneiras através das quais se pode analisar o mundo; dependendo do paradigma adotado trará seus resultados e interesses.

A interdisciplinaridade deve se aproximar das disciplinas porque o interesse do aluno parte da curiosidade que tem da sua realidade, que é complexa e não disciplinar. A partir de um certo problema, realizando uma leitura de mundo na abordagem interdisciplinar, o aluno transitará entre o todo(complexo) ao específico, fazendo representações e chegando ao conhecimento do conteúdo de cada disciplina.

Nas palavras de ASTOLFI (2011), as disciplinas “são construções humanas que renovam consideravelmente a maneira segundo a qual, até determinado ponto, costumávamos ver as coisas”. pg.174

É preciso, como diria o autor: “reencontrar o sabor dos saberes escolares”, sem rejeitar as disciplinas como se fossem a culpada pelo desinteresse dos alunos. O saber é uma ferramenta do pensamento, por isso, é necessário que a escola e o professor, considere a da realidade do aluno, fazendo com que ele, através da pesquisa, da observação dos fenômenos diante das várias disciplinas chegue ao saber, ao conhecimento específico. Dada a realidade compreendida por várias áreas do conhecimento, é possível instrumentalizar para ter poder de decisão diante de situações vividas.

Para um trabalho pedagógico numa abordagem interdisciplinar – disciplinar, exige: professores e Eq. Pedagógica como elementos centrais no planejamento; currículo sendo elemento central na organização do processo pedagógico, planejamento conjunto e articulado, disponibilidade de materiais didáticos para além do livro didático – salas ambientes, saídas a campo e condições de execução – tempo e espaço adequados.

É neste sentido, compreendendo os aspectos socioeconômicos e culturais, que a interdisciplinaridade e disciplinas escolares devem caminhar concomitantemente, pois cada qual tem sua importância na construção de um indivíduo integral. Possibilitando seu desenvolvimento pleno dentro da complexidade, mas também adquirir conceitos que fazem parte do patrimônio cultural da humanidade. Desta forma, cada um pode, dentre os saberes adquiridos, realizar a crítica e transformar sua realidade vivida.

BIBLIOGRAFIA:
Gerard Fourez, Prefácio. In: Gerard Fourez, Alain Maingain e Barbara Dufour. Approches didactiques de l’interdisciplinarité. Bruxelas: De Boeck, 2002.
Jean-Pierre Astolfi. Reencontrar o sentido e o sabor dos saberes escolares. Ensaio, v.13, n.02, p.173-186, mai-ago 2011.
Marília Freitas de Campos Tozzoni-Reis. A interdisciplinaridade como alternativa à organização dos currículos escolares: algumas contribuições. ComCiência, n. 138 - 10/05/2012.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

TEORIAS CURRICULARES - INTERFACES COM A EDUCAÇÃO INTEGRAL

Questão sugerida: Dentre as categorias de análise das teorias pós-estruturalistas de currículo, a cultura ocupa lugar central. Em torno dessa categoria discutem-se questões relacionadas com identidade, diferença, gênero, etnia, pós-colonialidade, multiculturalismo e outras. Como vimos nas aulas, são elementos que possuem forte implicação nos processos formativos na educação integral. Com base nesse pressuposto, aponte limitações e/ou desafios curriculares para a escola integral envolvendo questões deste âmbito.
A partir do livro Documentos de Identidade de Tomaz Tadeu da Silva, capítulo Estudos Culturais e o Currículo (pg.131 – 137) as pesquisas realizadas em torno dos Estudos Culturais têm forte importância para entendermos a questão do conhecimento e currículo.
Os Estudos Sociais estuda as conexões entre cultura, significação, identidade e poder pretendendo que suas analises funcionem como uma intervenção na vida política e social. A cultura, esta entendida como “forma global de vida ou como experiência vivida de um grupo social”. A cultura é um campo de construção de significados por grupos sociais distintos tentando colocar para o restante da sociedade a forma como o mundo deve ter e a forma como as pessoas e grupos devem ser. Neste sentido “a cultura é um jogo de poder”.
Na visão dos Estudos Sociais, o currículo e o conhecimento estão no campo cultural, já que o currículo é uma invenção social e os conteúdos são uma construção social. Desta forma é possível perceber que todo currículo tem uma intenção, há no currículo, uma relação de poder em torno dos significados e identidades.
Na prática, o “currículo prescristo” atual tem uma intenção ao priorizar mais carga horária para disciplinas de Matemática e Português deixando as outras formas de perceber o mundo como artes e atividades físicas com menos tempo. Não somente isto, mas como também a escolha de tais conhecimentos/conteúdos.
Sobre a influência da teoria pós-estruturalista, a categoria de análise Estudos Sociais considera o papel da linguagem e do discurso no processo de construção do currículo e do conhecimento. O conhecimento “é o resultado de um processo de criação e interpretação social”, assim, todas as formas de conhecimentos – Ciências Naturais, Ciências Sociais e das Artes, são vistas a partir dos discursos, práticas, instituições, instrumentos e paradigmas.
Dentro desta visão, não há separação entre as ciências e também entre o conhecimento escolar e o conhecimento cotidiano das pessoas envolvidas no currículo, pois todo o conhecimento é um objeto cultural, em que o conhecimento no currículo, a partir de um caráter construído e interpretativo, busca produzir certo tipo de subjetividade e identidade social.
Considerar o currículo nesta concepção é perceber que o “currículo prescrito” tem uma intenção de poder e que através do “currículo em ação”, ou seja, na fala e no discurso do professor é que se tem a possibilidade da mudança. A ação do professor é pela narrativa, por isto temos que, enquanto educador ter cuidado com falas e atitudes preconceituosas, dar voz as diferenças e não simplesmente aceitar e respeitar, fazer a discussão.
Desta forma, o currículo da Educação Integral deve abranger o multiculturalismo e dar possibilidades aos estudantes de uma educação integral não somente de tempo, já que também é uma necessidade social das famílias, uma educação que integre cuidado, conhecimento e valores humanistas.

terça-feira, 24 de julho de 2012

PARA REFLETIR...

“(...) os estudantes têm conhecimentos prévios, conceitos, experiências de vida, concepções de vida, expectativas, preconceitos aprendidos fora da escola, nos contextos familiares, de bairro e especialmente na mídia. Uma escola antimarginalização é aquela na qual todo esse conhecimento prévio, quase sempre adquirido de maneira passiva, é comparado com a ajuda da crítica, construído e reconstruído democraticamente, levando sempre em consideração as perspectivas de classe social, gênero, sexualidade, etnia e nacionalidade” (Santomé, 1998, p.150).
“(...) um currículo antidiscriminação tem de propiciar a reconstrução da história e da culturas dos grupos e povos silenciados. Para isso é preciso envolver os estudantes em debates sobre a construção do conhecimento, sobre as interpretações conflituosas do presente, para que se sintam obrigados a identificar suas próprias posições, interesses, ideologias e pressuposições” (Santomé, 1998, p. 151).

ASSISTA: http://www.youtube.com/watch?v=EbnjKDeZW40&feature=related
“(...) ter por objetivo a socialização do conhecimento científico, necessária à ampliação cultural das massas, bem como a constituição do conhecimento cotidiano que, em uma sociedade de classes, priva as classes sociais exploradas de seu próprio saber. Pode o conhecimento escolar superar esta contradição? Podemos trabalhar na escola visando à construção de um conhecimento que seja instrumento de liberação, resistência, capaz de organizar um conhecimento cotidiano mais amplo, que incorpora avanços da ciência sem vulgarizações, um conhecimento problematizador e crítico? Não estaremos com isso idealizando a função da escola em uma sociedade de classes?” (Lopes, 1999, p.155)
“(...) Para combatermos a divisão social do conhecimento, produtora de escalas de valores entre os diferentes saberes, não devemos incorrer na defesa de uma falsa homogeneidade de saberes, visando com isto questionar o poder que o conhecimento técnico e científico possui em nossa sociedade de classes. Precisamos sim, compreender a diferenciação epistemológica dos saberes como expressão da pluralidade cultural.” (Lopes, 1999, p. 158)

ASSISTA: http://www.youtube.com/watch?v=X0U99600elg

CONHECIMENTO, CULTURAS E SABERES NA PERSPECITIVA DA EDUCAÇÃO INTEGRAL

Questão geral sugerida: Em relação ao que foi discutido sobre currículo do ponto de vista dos conhecimentos, culturas e saberes, o que você considera relevante? O que seria importante considerar, na perspectiva da educação integral?
Questão escolhida para refletir: Sobre a seleção cultural dos conteúdos e conhecimento escolar
REGISTRO DO FILME: "ESCRITORES DA LIBERDADE"

O filme "Escritores da Liberdade" (Freedom Writers, EUA, 2007) aborda, de uma forma comovente, o desafio da educação em um contexto social problemático e violento. O filme se inicia com uma jovem professora, que entra como novata em uma instituição de "ensino médio", para lecionar Língua Inglesa e Literatura para uma turma de adolescentes considerados "turbulentos", inclusive envolvidos com gangues.

Ao perceber os grandes problemas enfrentados por tais estudantes, a professora Erin resolve adotar novos métodos de ensino, ainda que sem a concordância da diretora do colégio. Para isso, a educadora entregou aos seus alunos um caderno para que escrevessem, diariamente, sobre aspectos de suas próprias vidas, desde conflitos internos até problemas familiares. A professora indicou também, a leitura de diferentes obras sobre episódios cruciais da humanidade, como o célebre livro "O Diário de Anne Frank", com o objetivo de que os alunos percebessem a necessidade de tolerância mútua, sem a qual muitas barbáries ocorreram e ainda podem se perpetrar.
Com o passar do tempo, os alunos vão se engajando em seus escritos nos diários e, trocando experiências de vida, passam a conviver de forma mais tolerante, superando entraves em suas próprias rotinas. Assim, eles reuniram seus diários em um livro, que foi publicado nos Estados Unidos em 1999, após uma série de dificuldades. É claro que projetos inovadores como esse, em se tratando de estabelecimentos de ensino com poucos recursos, enfrentam diversos obstáculos, desde a burocracia até a resistência aos novos paradigmas pedagógicos.

Nesse sentido, o filme "Escritores da Liberdade" dá ênfase no papel da educação como mecanismo de transformações individuais e comunitárias, como já dizia o educador Paulo Freire, tem um papel indispensável no implemento de novas realidades sociais, a partir da conscientização de cada ser humano como artífice de possíveis avanços em sua própria vida e, principalmente, em sua comunidade.
Retomando ao que diz Santomé (1998), a personagem da professora transforma na sua prática os conhecimentos, saberes e culturas do “currículo moldado” em um “currículo antidiscriminação”, possibilitando em suas aulas a reconstrução das histórias de vida de cada aluno através do envolvimento deles nas atividades práticas, no debate e nas reflexões sobre as culturas dos grupos e povos silenciados.
Podemos refletir também através do filme sobre as outras questões que perpassam os aspectos curriculares:
  • Metodologia de trabalho - saída de estudo em busca da aquisição do conhecimento através das sensações – relato de experiências de vida de pessoas do Holocausto; organização do espaço da sala de aula; utilização de outros espaços (fora da sala de aula);
  • Currículo oculto – desenvolvimento dos valores humanos: respeito as diferenças culturais, cultura da paz, solidariedade, auto-confiança através do trabalho em equipe.
  • Currículo cultural – utilização de literatura que aproxima-se da realidade dos alunos e a partir desta o interesse por outras literaturas do “currículo moldado”
  • Utilização do currículo não como instrumento de reprodução do conhecimento
  • Conhecimento escolar – alta cultura/conhecimento científico/conhecimento cotidiano
Considerando, como afirma Santomé(1998), que os alunos “têm conhecimentos prévios, conceitos, experiências de vida, concepções de vida, expectativas, preconceitos aprendidos fora da escola, nos contextos familiares, de bairro...” é preciso que a escola integral seja o espaço educativo onde através da crítica, se faça um processo de legitimação dos saberes destas vozes ausentes e grupos marginalizados, se tronando então uma escola “antimarginalização” sem perder de vista uma das funções sociais da escola de socializar o conhecimento científico necessária para ampliação cultural.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

POLÍTICAS CURRICULARES PARA EDUCAÇÃO BÁSICA E A EDUCAÇÃO INTEGRAL

Questão sugerida: Como você se posiciona diante da atual política curricular para a educação básica?
É possível realizar algumas considerações acerca dos avanços e desafios que a educação vem realizando dentro da atual política em vigor a partir de conteúdos expostos, discussões e análises realizadas em sala de aula sobre os documentos que se referem à política curricular na educação básica: Resoluções nº4 e nº7 do CNE de 2010, Série Mais Educação – Redes de Saberes e Rede de Aprendizagem.
Percebe-se que atualmente a uma continuidade em relação aos princípios educativos presentes na Constituição Federal de 1998 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996, avançando para uma gestão democrática com objetivo na qualidade do ensino, sendo o foco principal da qualidade o educar e cuidar. Esta qualidade está baseada em planejamento, avaliação por critérios (IDEB, CAQ), insumos e condições de trabalho. A organicidade do sistema educativo irá se dá nas modalidades e etapas de ensino e na integração curricular a partir de um conceito novo - REDES DE APRENIZAGEM que se refere à construção de parcerias na tarefa de educar, na diversidade de tempos e espaços, numa nova organização da matriz curricular, e novas metodologias de ensino (TIC´s).
Na prática, a partir da experiência profissional podemos considerar alguns avanços:
·         Ampliação dos tempos e espaços aos alunos na unidade educativa ou fora dela, fazendo parcerias com a comunidade.
·         Proteção e cuidado a crianças e adolescentes em risco social, mas considerando também a formação na sua essência humana.
·         Ampliação de oportunidades socioculturais e diversidade de atividades de aprendizagem.
·         Retomada dos princípios curriculares da LDB – interdisciplinaridade e transversalidade
·         A integração entre secretarias intersetoriais.
      Os desafios ainda são muitos:
·         Ampliando o tempo escolar, as atividades complementares ainda estão desassociadas do currículo.
·         Quais saberes (conhecimentos, referencias culturais), como organizar os conhecimentos escolares e como fazer a relação entre conhecimento escolar e extraescolar no currículo.
·         Ao fazer parcerias com a comunidade, ONG´s podemos por muitas fezes estar precarizando o espaço escolar e a desvalorização do profissional da educação.
·         Formação do professor para uma educação integral.

Relatando os avanços e desafios a serem superados, a atual política curricular em vigor na sua legislação prevê uma educação integral na formação humana e com novas formas de aprendizagem através de parcerias, mas ainda enfrentamos um sério desafio na estrutura física e profissional para que a implementação destas políticas previstas no papel possam se efetivar nas diversas realidades brasileiras.

POLÍTICA CURRICULAR CATARINENSE - INTERFACES COM OUTROS CONTEXTOS E COM A EDUCAÇÃO INTEGRAL

Questão sugerida: O lugar dos agentes curriculares (Estado, escolas, educadores e estudantes) - implicações para uma educação integral. Quais limitações e possibilidades?
            Analisando a questão sugerida é notável, no atual momento histórico da sociedade, mas precisamente no campo da educação, tantos conceitos e questões nela inserida que seria impossível respondê-la num breve texto. Tentarei aqui escrever de forma atrativa aos leitores de blog, sobre alguns pontos dos quais discutimos em sala de aula, leituras realizadas e experiências de práticas pedagógicas enquanto educadora.
           
          Para começar entendo o currículo como toda forma de organização do trabalho pedagógico, organização do conhecimento, do planejamento, do projeto político pedagógico, da relação com as famílias, da organização do espaço e tempo escolar. O currículo é intencional, não é neutro, deve ser interdisciplinar.
            O conceito de currículo pode ser definido como “um instrumento que deve levar em conta as diversas possibilidades de aprendizagem não só no que concerne à seleção de metas e conteúdos, mas também na maneira de planejar as atividades” (César Coll).
            Desta forma temos até aqui alguns agentes curriculares:
* a escola – como espaço institucional organizado nos tempos e espaços
* as famílias – que participam do processo educativo
* os educadores – que expõe os conhecimentos científicos e executam as atividades planejadas
* os alunos – que participam a partir de suas “culturas” do espaço educativo
           Nesta perspectiva do educador como agente curricular, em meados de 1988 iniciou-se o processo de discussão coletiva entre educadores sobre a elaboração da Proposta Curricular de Santa Catarina, sendo em 1991 a primeira publicação, a segunda edição em 1998 e em 2005 o caderno estudos temáticos. A política curricular catarinense está relacionada com a política de educação básica nacional e com ela a Educação Integral.
           
O Plano Nacional de Educação (PNE) que passou a vigorar em 2011 até 2020, apresenta dez diretrizes objetivas e 20 metas, seguidas das estratégias específicas de concretização. O plano prevê entre outros, a universalização e ampliação do acesso e atendimento em todos os níveis educacionais; incentivo à formação inicial e continuada de professores e profissionais da educação em geral, correção de fluxo e o combate à defasagem idade-série; aumento da taxa de alfabetização e da escolaridade média da população e à elaboração de currículos básicos e avançados em todos os níveis de ensino e à diversificação de conteúdos curriculares.
            No que diz respeito a ampliação do acesso e atendimento uma das metas é oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica, aumentando o tempo de permanência do aluno  para sete horas diárias, por meio de atividades de acompanhamento pedagógico e interdisciplinares. Para isto o governo federal propõe o Programa Mais Educação para estimular e fomentar a oferta de atividades voltadas a ampliação da jornada escolar. Temos então o estado-governo em forma de lei e ações como agente curricular.
            Percebe-se que diversos são os agentes curriculares e dimensões do currículo: governo (federal, estadual e municipal), escola, professor, famílias e alunos sendo que cada qual determinará a partir de seus conceitos e culturas o currículo. O “currículo prescrito” é o governo e estrutura escolar, através de leis, manuais, cartilhas, livros, Projeto Político Pedagógico, organização dos tempos e espaços e escolha das disciplinas e carga horária para comporem a “grade curricular”. O professor por sua fez é o “currículo moldado”, é ele através da execução do planejamento que irá organizar o que fazer com o “currículo prescrito”. Os alunos e a aula do professor é o “currículo em ação”, é aqui que podem ser realizadas mudanças no “currículo prescrito”, o professor e aluno podem questionar avaliar e reavaliar conteúdos, tempos e espaços.
            Desta forma, para realização de uma proposta de educação integral cada agente curricular deve cumprir seu papel. Atualmente, a partir da experiência vivenciada por 08 anos na Escola Acácio Básica Prefeito Acácio Garibaldi São Thiago - Barra da Lagoa, percebo enquanto educadora,  que a 03 anos a escola a partir do programa Mais Educação teve que começar a repensar  no currículo os tempos, espaços e atividades escolares.
Pensar o currículo na Educação Integral nos traz algumas possibilidades e limitações. Pelo fato dos alunos estarem por mais tempo no espaço educativo é possível, que estes, tenham contato com outras linguagem do conhecimento que não estão no currículo formal, ter tempo e espaços para convivência com seus semelhantes e cuidados nutricionais e de higiene. São nestes momentos e atividades sócio-integradoras com foco na diversidade e aprendizagem em que é mais possível dar vez e voz aos alunos e as famílias. O Programa prevê uma relação entre escola e comunidade, onde “a educação no âmbito da comunidade tem dupla dimensão: a comunidade como agente “educador” e, ao mesmo tempo, como sujeito (coletivo) que se educa.” (Rede de Saberes)
            Para uma proposta de Educação Integral de qualidade nas escolas públicas, reconhecendo os alunos como sujeitos de direitos e possibilitando-os a desenvolverem-se nas suas múltiplas dimensões, temos ainda algumas limitações. Desejamos ter uma educação integral não somente na ampliação do tempo, mas na ampliação de oportunidades e para que isto aconteça efetivamente é necessário que algumas mudanças aconteçam:
·         Ampliação e adequação do espaço escolar – refeitórios amplos, ginásios, sala de artes, quadra coberta, espaço para lazer e convivência no pátio.
·         Ampliação do quadro de profissionais – especialistas e professores
·         Currículo integrado, superando as atividades de contra-turno.
·         Professor contratado em período integral, com tempo para formação continuada
Acreditando que todos os envolvidos na educação tem sua parcela de contribuição como agente curricular, devemos desde governo, escola, comunidade, famílias, alunos e professores superar as limitações buscando participar de ações que contribuam para a construção e uma educação integral de qualidade.

Referências:
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECAD. Série Mais Educação. Rede de Saberes Mais Educação. Pressupostos para Projetos Pedagógicos de Educação Integral. Brasília, DF, 2009b. MOLL, Jaqueline (org). Caminhos da educação integral no Brasi: Direito a outros tempos e espaços educativos. São Paulo: Artmed, 2007.
SANTA CATARINA. Escola Pública Integrada – Documento Base, 2003 SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Educação, Ciência e Tecnologia. Proposta Curricular de Santa Catarina. Florianópolis:IOESC, 1998.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

CURRÍCULO, CONHECIMENTO E CULTURA

Hoje, no período vespertino, a aula da disciplina de Currículo, foi com a professora Jane Bittencourt.
Foi abordado o tema: Currículo, Conhecimento e Cultura, através do texto referência INDAGAÇÕES SOBRE CURRÍCULO - Currículo, Conhecimento e Cultura.
Questões que foram refletidas:
* Currículo oculto
* Currículo cultural
* Currículo e poder
* Currículo na prática
* Como são abordados os conhecimentos nos livros didáticos
"UMA ÚNICA VERSÃO DA HISTÓRIA ROUBA DAS PESSOAS A DIGNIDADE."